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Creatina faz mal para os rins: mito ou verdade?

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Esse é um receio ainda muito difundido por aí, porém os estudos mostram que, para pessoas com os rins saudáveis, a creatina não causa danos renais quando usada nas doses corretas.

Ainda assim, o tema exige cuidado, pois existem situações em que o acompanhamento profissional é indispensável para garantir um uso seguro.

Portanto, descubra se a creatina faz mal para os rins e quando é mito ou verdade. Acompanhe-nos!

Por que a creatina ganhou fama de prejudicar os rins?

Essa preocupação surgiu porque a creatina pode aumentar a creatinina no sangue. Entretanto, essa mudança costuma ser fisiológica e não indica necessariamente um problema renal.

Afinal, a creatinina é um subproduto natural do metabolismo da creatina. Logo, o uso do suplemento pode aumentar esse marcador.

Com isso, muitas pessoas interpretam esse aumento como sinal de lesão, quando na verdade ele não reflete um dano aos rins.

Além disso, como os problemas renais crescem silenciosamente na população, por um tempo houve certa associação automática entre a creatina e risco renal, mesmo sem comprovação científica sólida.

No entanto, os novos estudos demonstram que pessoas sem disfunção renal não apresentam prejuízos renais com a suplementação de creatina em doses adequadas.

Por essa razão, é muito importante consultar um médico ou nutricionista antes de suplementar.

Então a creatina faz mal para os rins?

Não. Quando utilizada nas quantidades recomendadas, muitas vezes entre 3 e 5 gramas por dia, a creatina é considerada segura para indivíduos com função renal normal

Ainda que ela aumente a creatinina no sangue, isso não indica disfunção renal. Uma vez que esse aumento é esperado, já que vem do metabolismo muscular, e não de problemas na filtragem renal.

Inclusive, vários estudos de longo prazo analisaram biomarcadores renais, como taxa de filtração glomerular e exames laboratoriais, e não encontraram evidências de danos associados ao uso de creatina.

Além disso, pesquisas com atletas, idosos e pessoas fisicamente ativas apontam que o suplemento não prejudica o funcionamento dos rins, mesmo quando consumido por períodos prolongados.

Por isso, a creatina é um dos suplementos mais estudados, respeitados e prescritos no mundo.

Creatina aumenta a creatinina: isso significa doença renal?

Definitivamente, não. Como falamos acima, o aumento da creatinina em quem consome creatina é esperada e não deve ser interpretada automaticamente como insuficiência renal.

Uma vez que, em pessoas saudáveis, essa alteração aparece apenas como reflexo do aumento de creatina disponível nos músculos.

Por esse motivo, os profissionais de saúde costumam avaliar outros marcadores, como ureia e taxa de filtração glomerular, antes de concluir qualquer diagnóstico.

Dessa maneira, evita-se interpretar erroneamente exames e criar preocupação desnecessária.

Quando a creatina exige cautela e acompanhamento?

Mesmo que seja segura para a maioria das pessoas, o consumo de creatina deve ser evitado ou cuidadosamente avaliado por um médico ou nutricionista em certas situações específicas.

Neste contexto, em casos de doença renal preexistente, como insuficiência renal crônica, glomerulopatias ou síndrome nefrótica, qualquer suplemento que altere marcadores laboratoriais precisa ser supervisionado.

Da mesma forma, indivíduos com doenças hepáticas, transtorno bipolar, gestantes, lactantes e menores de 18 anos devem evitar o uso ou consultar um profissional antes de iniciar.

Além disso, pessoas que fazem uso frequente de anti-inflamatórios, consomem bebidas alcoólicas em excesso ou seguem uma dieta extremamente proteica também devem conversar com um profissional para avaliar a carga renal total.

Isso porque, nesses grupos, a segurança da creatina ainda não está completamente estabelecida, principalmente por falta de pesquisas robustas.

Quais os problemas que a creatina pode causar?

A creatina é segura, mas não está isenta de efeitos colaterais. Com isso, entre os desconfortos mais relatados estão dor de cabeça, leve irritação gastrointestinal, retenção intramuscular de água, câimbras e sensação de inchaço.

Esses efeitos costumam desaparecer com ajustes na dose, hidratação adequada e/ou mudança na forma de consumo.

Ainda assim, vale alertar que o uso incorreto ou excessivo pode sobrecarregar temporariamente os rins em pessoas sensíveis.

No mais, é fundamental priorizar marcas reconhecidas e com certificações de pureza, porque versões de baixa qualidade e sem certificação aumentam o risco de adulterações que podem prejudicar a saúde.

Quem toma creatina tem que beber muita água?

Sim, como a creatina puxa água para dentro das células musculares, ela modifica a distribuição de líquidos do corpo.

Por isso, a ingestão de água deve ser maior ao suplementar. Dessa forma, é possível prevenir câimbras, dor de cabeça, retenção desconfortável e qualquer pressão desnecessária sobre a função renal.

Além disso, beber mais água ajuda na absorção do suplemento e potencializa os resultados, principalmente em quem treina intensamente ou vive em ambientes muito quentes.

Quem não pode consumir creatina?

No geral, devem evitar o uso de creatina sem acompanhamento de um médico ou nutricionista:

  • Pessoas com doenças renais diagnosticadas;

  • Indivíduos com doenças hepáticas;

  • Gestantes e lactantes;

  • Pessoas com transtorno bipolar;

  • Menores de 18 anos;

  • Indivíduos sem acompanhamento médico que já apresentam creatinina alterada.

Qual o maior inimigo dos rins?

Curiosamente, o maior inimigo dos rins não é a creatina, e sim um conjunto de hábitos e condições muito comuns na rotina moderna.

Entre os principais fatores que realmente prejudicam a função renal estão diabetes descontrolada, hipertensão arterial, sedentarismo, excesso de sal, problemas cardiovasculares, obesidade, tabagismo e automedicação.

Além disso, a baixa ingestão de água também é um dos vilões, já que a desidratação constante compromete a filtragem glomerular e aumenta os riscos de cálculos renais (pedras nos rins).

Sendo assim, manter um estilo de vida saudável é muito mais decisivo para a saúde dos rins do que evitar a creatina.

Referências

ANTONIO, J. et al. Common questions and misconceptions about creatine supplementation: what does the scientific evidence really show?. Journal of the International Society of Sports Nutrition, v. 18, n. 13, p. 1-17, 2021.

ARAGÃO, G. C.; FERREIRA, J. C. S. Benefícios da creatina como suplemento nutricional. Research, Society and Development, v. 11, n. 5, p. 1-13, 2022.

AVGERINOS, K. et al. Effects of creatine supplementation on cognitive function of healthy individuals: A systematic review of randomized controlled trials. Experimental Gerontology, v. 108, p, 166-173, 2018.

CANDOW, D. G. et al. Effectiveness of Creatine Supplementation on Aging Muscle and Bone: Focus on Falls Prevention and Inflammation. Journal of Clinical Medicine, v. 8, n. 488, p. 1-15, 2019.

FORBES, S. C. et al. Effects of Creatine Supplementation on Brain Function and Health. Nutrients, v. 14, n. 5, p. 1-16, 2022.

 

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